Técnica “Value Investing”


O que é o “Value Investing”?

Value investing é uma estratégia de investimento onde as ações selecionadas são transacionadas por um valor inferior ao seu valor intrínseco. Os investidores que praticam esta estratégia procuram ativamente ações que eles acreditam que o mercado subestimou. Os investidores que usam esta estratégia acreditam que o mercado reage exageradamente a boas e más notícias, resultando em movimentos de preços de ações que não correspondem ao seu valor intrínseco (ou valor fundamental),  de longo prazo da empresa, gerando uma oportunidade de lucrar quando o preço é deflacionado.

Desarticulando o ‘Value Investing’

As ações subavaliadas resultam da irracionalidade do investidor. Normalmente, os investidores que usam o “value investing” procuram lucrar com essa irracionalidade, selecionando ações com rácios P/B (price-to-book) abaixo da média, rácios preço / lucro abaixo da média e / ou com maiores  dividend yield”. Esses números são comparados com o valor intrínseco da empresa, e após a comparação, estes investidores tomam a decisão de investir caso o valor comparativo seja alto o suficiente.

No entanto, há um problema com esta estratégia que passa pela dificuldade de estimar o valor intrínseco de uma ação. Dois investidores podem receber exatamente as mesmas informações e cada um deles atribuir um valor diferente para a mesma empresa. Por esta razão, outro conceito central de “value investing” é o da “margem de segurança”. Este tipo de investidores necessita de adquirir os capitais próprios das empresas com um relativo desconto face ao valor que eles acreditam ser o seu valor real, por forma a conseguir ter alguma margem para erro.

Além disso, a estratégia de “value investing” é subjetiva. Alguns dos investidores que aplicam esta estratégia apenas olham para os ativos e lucro presentes e não têm em conta o possível valor resultante do crescimento futuro. Outros investidores baseiam as suas estratégias completamente em torno da estimativa de crescimento futuro e dos cash flows da empresa em análise. Apesar das diferentes metodologias, a lógica subjacente é  a mesma, um investidor deve comprar algo por um valor inferior ao que ele pensa que vale atualmente.

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Um Exemplo de um Investimento de Valor

Estes investidores procuram lucrar com reações exageradas de mercado que geralmente resultam da divulgação do relatório trimestral. Em 4 de maio de 2016, a Fitbit divulgou o seu relatório com os resultados do primeiro trimestre de 2016 e viu um declínio acentuado nas transações após o lançamento do mesmo. No final desta agitação, a empresa tinha perdido quase 19% do seu valor. No entanto, embora grandes reduções no valor das ações de uma empresa não sejam  de todo incomuns após o lançamento de um relatório de resultados, a Fitbit não só correspondeu às expectativas dos analistas para o trimestre, mas aumentou as expectativas para o restante de 2016.

A empresa ganhou US $ 505,4 milhões em receita no primeiro trimestre de 2016, um valor superior em cerca de 50% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Além disso, a Fitbit espera gerar entre US $ 565 milhões e US $ 585 milhões no segundo trimestre de 2016, o que está acima dos US $ 531 milhões previstos pelos analistas. A empresa parece ser forte e estar em fase de crescimento. No entanto, uma vez que a Fitbit investiu fortemente em Investigação e Desenvolvimento (I&D) no primeiro trimestre do ano, o resultado por ação (EPS- “earning-per-share”) caiu quando comparado ao do ano anterior. Isto era o que todos os investidores médios necessitavam para se lançarem sobre a Fitbit, vendendo ações suficientes para fazer com que o seu preço diminuísse. No entanto, um investidor que siga a estratégia de “value investing” olha para o valor intrínseco da Fitbit e entende que é um título subvalorizado, preparado para potencialmente aumentar no futuro.