Cinco ideias de investimento controversas para 2017


A maioria dos investidores gosta de pensar que eles estão a comprar quando todos os outros investidores estão em pânico, e a vender quando eles estão a acumular.

Fazer isso requer um estômago forte.

Para aqueles que querem ir contra a maré, aqui estão algumas ideias que lhe podem trazer bons resultados num futuro próximo.

Como alguns envolvem riscos significativos, a exposição deve ser limitada à quantidade de dinheiro que pode perder.

1. Bancos chineses

Porquê?

“Ninguém quer ser visto com bancos chineses”, disse Peter Saacke, gerente da Artemis Global Growth.

De acordo com Saacke, os medos acerca dos maus empréstimos feitos durante a crise financeira significa que eles são negociados com avaliações muito baixas, mas oferecem rendimento de 6pc e retornos de investimento potencialmente altos.

O número de empréstimos onde os mutuários têm inadimplência parece ter atingido o pico e está agora a diminuir, diz ele. Apesar disso, as atitudes em relação ao setor ainda são negativas.

O que comprar?

Acessar as ações individuais na China não é viável para a maioria de nós. As opções disponíveis para obter exposição incluem Global X China Financials, um fundo negociado em bolsa que rastreia um índice de bancos chineses e empresas financeiras. Ele está listado na Bolsa de Valores de Nova York, portanto, pode ser comprado através de plataformas que oferecem negociação de ações internacionais.

Há também o iShares ‘MSCI China, um fundo negociado em bolsa, no qual 30pc éinvestido em ações financeiras chinesas.

2. Obrigações brasileiras

Porque?

As expectativas dos mercados emergentes são baixas devido à posição protecionista do presidente dos EUA, Donald Trump. Isso significa que os títulos emitidos nos países são baratos.

O chefe global da renda fixa do JP Morgan Asset Management, Bob Michele, prevê que os títulos dos mercados emergentes serão o setor de renda com melhor desempenho este ano.

Em particular, a economia brasileira que não depende muito de outros países, o que significa que beneficiará se houver uma retirada da globalização. Apesar dos mercados ainda dependerem dos preços das commodities.

O que comprar?

Tome em atenção, pois os títulos individuais brasileiros não são viáveis para pequenos investidores. Em vez disso, o fundo de renda da América Latina Aberdeen tem 24pc investidos em títulos brasileiros, e 49pc do total no Brasil – embora cobre uma taxa de 1,89pc.

Para uma exposição mais geral aos títulos de mercados emergentes, as opções incluem o fundo de rastreamento de títulos do governo de mercados emergentes da L & G e a dívida corporativa do BNY Mellon Emerging Markets. Estes carregam 0,29pc e 0,8pc respectivamente, e são 10pc e 8pc investidos no Brasil.

3. Energia renovável nos EUA

Porquê?

Existe um receio significativo de que a administração do Sr. Trump introduza políticas que serão prejudiciais para as empresas de energia renováveis americanas.

Mas, disse Roberto Corminotto, gerente de ativos da GAM, que o crescimento da energia renovável nos EUA tem três fatores: metas renováveis a nível estadual, metas renováveis corporativas e créditos fiscais federais.

“Somente o terceiro pode ser atingido pelo impacto da nova administração”, disse ele.

No entanto, acrescentou que é improvável que os créditos fiscais sejam revogados, já que os créditos fiscais de energia eólica e solar foram inicialmente introduzidos e, em seguida, estendidos por administrações republicanas anteriores.

O que comprar?

No que toca à energia renovável americana, existem muitas ETFs que podem ser tidas em conta.
Primeiro o fundo da NASDAQ Clean Edge Green Energy é mais do que 90pc investidos nos EUA. Está listada na Bolsa de Valores de Nova York, e o índice subjacente é o que acompanha o desempenho das empresas envolvidas na tecnologia de energia limpa.

Há também o, mais global, iShares Global Clean Energy ETF, que é 26pc investido nos EUA.

4. As ações que beneficiam da queda dos preços do petróleo

Porquê?

O acordo histórico do cartel do petróleo Opec para reduzir a produção impulsionou o preço do petróleo. No entanto, a produção de óleo de xisto nos Estados Unidos está aumentar como resposta, ameaçando o equilíbrio entre oferta e a procura.

Donald Trump também considerou um imposto adicional que iria até 10pc em todas as importações para os EUA. Isso daria ao óleo de xisto uma vantagem automática de preço na América, que em 2016 importou cerca de 3,5 milhões de barris por dia dos países da Opep – cerca de 10pc da produção atual da Opep.

Isso poderia-se combinar para prejudicar o preço do petróleo em 2017.

O que comprar?

Uma opção é reduzir a exposição existente ao petróleo, e manter o dinheiro na mão para comprar ações de petróleo, se o preço cair.

Outra opção seria a compra de ações em setores que beneficiam dos preços de combustível mais baratos, como companhias aéreas, de deslocações de mercadorias e transporte.

Por exemplo, depois do preço do petróleo afundar dramaticamente de 2014 até ao final de 2015, a empresa-mãe da British Airway, a International Airlines Group, relatou um crescimento dos lucro em 65%, em parte devido ao combustível mais barato.

5. Propriedade residencial alemã

Porquê?

A perspectiva de aumento das taxas de juros na Alemanha está a colocar os investidores fora da propriedade residencial.

Oliver Maslowski, gerente de ativos GAM, disse que a procura residencial ainda supera muito a oferta.

Um evento chave para esta aposta gere resultados, é não existir nenhum aumento nas taxas de juros do banco central europeu até ao final de 2017 ou além. Se houvesse um aumento, os investimentos imobiliários residenciais sofreriam uma queda nos rendimentos, à medida que os seus custos – incluindo o endividamento – aumentariam.

Rogier Quirijns, gerente da Cohen & Steers European Real Estate Securities, disse: “Achamos que a venda recente de imóveis na UE é injustificada e oferece uma oportunidade de compra. Nós somos particularmente positivos no potencial de crescimento da propriedade residencial alemã.”

O que comprar?

Há uma série de fundos de investimento que investem em imóveis residenciais alemães.

Nestes incluem-se o Phoenix Spree Deutschland e Taliesin Property Fund. Ambos apresentaram retornos substanciais nos últimos cinco anos e, portanto, estão a ser negociados a mais de 20pc acima do valor dos seus ativos.